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- O Presidente do Gana, S. Exa. John Dramani Mahama (5º à esquerda), observa enquanto o Sr. Samaila Zubairu, Presidente e Diretor Executivo da Africa Finance Corporation e Presidente cessante da AAMFI (sentado, à esquerda), e S. Exa. a Sra. Francisca Tatchouop Belobe, Comissária para o Desenvolvimento Econômico, Comércio, Turismo, Indústria e Minerais da Comissão da União Africana (sentada, à direita), assinam o acordo do AIFF
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Lançado o Mecanismo de Financiamento de Infra-estruturas em África para reforçar a soberania financeira continental
Criado ao abrigo de um Acordo-Quadro de Cooperação entre a AUDA-NEPAD e a AAMFI, o AIFF constitui um mecanismo de coordenação estruturado e liderado por África para acelerar a preparação de projectos
O lançamento da AIFF é uma demonstração poderosa do que pode ser alcançado quando a vontade política e a coordenação institucional convergem
Os Chefes de Estado e de Governo africanos lançaram formalmente, a 14 de Fevereiro de 2026, o Mecanismo de Financiamento de Infra-estruturas em África (AIFF), uma plataforma coordenada e liderada por África, concebida para acelerar a preparação e facilitação do financiamento de projectos prioritários de infra-estruturas transfronteiriças, em conformidade com a Agenda 2063.
O lançamento ocorreu durante o Terceiro Diálogo Presidencial de Alto Nível da Aliança das Instituições Financeiras Multilaterais Africanas (AAMFI), realizado à margem da 39.ª Cimeira da União Africana, subordinado ao tema: “Reforçar a Arquitectura Financeira Africana para Financiar a Agenda 2063.”
Realizado sob o patrocínio de Sua Excelência John Dramani Mahama, Presidente da República do Gana e Campeão da União Africana para as Instituições Financeiras da UA, o Diálogo reforçou o compromisso de África em traduzir a soberania financeira em mecanismos operacionais capazes de mobilizar capital de longo prazo em grande escala.
A Agenda 2063 continua a enfrentar constrangimentos financeiros impulsionados por mercados de capitais fragmentados, prémios elevados de custo de capital, financiamento de longo prazo limitado e dependência persistente de sistemas financeiros externos que não reflectem totalmente as realidades de desenvolvimento de África. Nesse contexto, os líderes africanos enfatizaram a necessidade de reforçar as Instituições Financeiras Multilaterais Africanas (AMFIs) existentes, acelerando simultaneamente a operacionalização das Instituições Financeiras da União Africana.
“África tem reservas de capital interno superiores a 2,5 biliões de dólares”, afirmou o Presidente Mahama. “O desafio não é a disponibilidade de capital, mas sim a forma como o investimos intencionalmente em infra-estruturas, industrialização e criação de emprego para concretizar a Agenda 2063 e a Zona de Comércio Livre Continental Africana.”
Sublinhou a importância de reduzir a dependência de sistemas de financiamento fragmentados que avaliam de forma errada o risco de África e apelou a uma arquitectura financeira continental coerente, capaz de financiar o desenvolvimento de África de forma sustentável.
Em representação da Comissão da União Africana, S. Ex.ª a Sr.ª Francisca Tatchouop Belobe, Comissária para o Desenvolvimento Económico, Comércio, Turismo, Indústria e Minerais, reafirmou o compromisso da UA em reforçar a coordenação financeira continental:
“O lançamento da AIFF é uma demonstração poderosa do que pode ser alcançado quando a vontade política e a coordenação institucional convergem. Estamos confiantes de que este Mecanismo contribuirá de forma significativa para colmatar o défice de financiamento de infra-estruturas em África, estimado em aproximadamente 221 mil milhões de dólares por ano durante o período de 2023 a 2030."
Ao proferir o discurso de abertura, Samaila Zubairu, Presidenta e Director Executivo da Sociedade Financeira Africana e Presidente cessante da AAMFI, sublinhou a importância da coordenação da mobilização de capitais africanos:
“A Aliança das Instituições Financeiras Multilaterais Africanas representa mais de 70 mil milhões de dólares em balanços e trabalha em conjunto no sentido de colmatar as lacunas em matéria de comércio, investimento e financiamento do desenvolvimento em África. A nossa acção colectiva é fundamental para mobilizar os recursos necessários para concretizar infra-estruturas de transformação e integração regional.”
Enfatizou que as ambições de desenvolvimento de África exigem escala, alinhamento institucional e mobilização disciplinada de capital para colmatar as lacunas de financiamento de infra-estruturas e industriais.
Destacando a importância do Mecanismo, o Dr. George Elombi, Presdente do Conselho de Administração do Afreximbank, afirmou:
“O Mecanismo de Financiamento de Infra-estruturas em África foi concebido para superar a dificuldade mais persistente na concretização de infra-estruturas em África: a lacuna entre a aprovação política e a execução financeira. Muitos projectos ficam paralisados não por falta de relevância, mas porque estão mal preparados, mal estruturados ou desalinhados com os requisitos de capital a longo prazo. As Instituições Financeiras Multilaterais Africanas compreendem os riscos africanos, os mercados africanos e as realidades de desenvolvimento africanas. Ao reunir conhecimentos especializados, balanços financeiros e quadros de risco, o Mecanismo faz com que África passe de intervenções fragmentadas para um sistema coerente capaz de mobilizar capital em grande escala.
O Dr. Corneille Karekezi, Director Executivo da Sociedade Africana de Resseguros [Africa Reinsurance Corporation] e novo Presidente da AAMFI, enfatizou a colaboração institucional:
“O financiamento do desenvolvimento em África deve ter como base a colaboração e a inovação. Ao partilhar estrategicamente os riscos, reforçar as nossas instituições e mobilizar capital nacional e privado, podemos construir um ecossistema financeiro resiliente, capaz de proporcionar infra-estruturas transformadoras e crescimento industrial em todo o continente.”
O Diálogo sublinhou que, embora o compromisso político com as infra-estruturas continue forte, os projectos enfrentam muitas vezes constrangimentos nas fases iniciais de preparação. O financiamento limitado para a preparação de projectos, as políticas regionais fragmentadas e a coordenação insuficiente foram citados como os principais desafios.
Um dos pontos altos do Diálogo foi o lançamento formal do Mecanismo de Financiamento de Infra-estruturas em África (AIFF).
Criado ao abrigo de um Acordo-Quadro de Cooperação entre a AUDA-NEPAD e a AAMFI, o AIFF constitui um mecanismo de coordenação estruturado e liderado por África para acelerar a preparação de projectos e facilitar um compromisso indicativo e não vinculativo em matéria de financiamento de infra-estruturas prioritárias, em conformidade com a Agenda 2063.
Numa demonstração adicional do ímpeto para o reforço da arquitectura financeira africana, o Diálogo concluiu com o depósito cerimonial do Instrumento de Ratificação do Protocolo e dos Estatutos do Fundo Monetário Africano (AMF) pela República dos Camarões.
Este marco consolida os esforços contínuos de África para operacionalizar as principais instituições financeiras da União Africana, com o objectivo de promover a estabilidade macroeconómica, prestar apoio à balança de pagamentos e reforçar a cooperação monetária e financeira entre os Estados-Membros da União Africana.
Distribuído pelo Grupo APO para Afreximbank.
Sobre a Aliança das Instituições Financeiras Multilaterais Africanas (AAMFI):
A Aliança das Instituições Financeiras Multilaterais Africanas (AAMFI), conhecida igualmente como o Clube Africano, é uma coligação de instituições financeiras multilaterais detidas e controladas por africanos, lançada em Fevereiro de 2024 em colaboração com a Comissão da União Africana.
A Aliança reúne doze instituições que representam um balanço combinado de mais de 70 mil milhões de dólares.
A AAMFI promove a coordenação, a acção colectiva e a defesa unificada para mobilizar o capital africano, reforçar a arquitectura financeira do continente e apoiar o desenvolvimento sustentável e a integração regional, em conformidade com a Agenda 2063.